sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Dezessete anos e já sabia muito bem aonde procurar o que queria encontrar. Testava em qualquer boca alheia o gosto de tudo o que o mundo era capaz de lhe oferecer, e logo no final saia descontente pelo sabor dos outros que não tinha lhe agradado. Guardava qualquer tipo de rancor, mas se preocupava mesmo pela ausência do amor. Gostaria de saber o que era o motivo dos sorrisos bobos, das mãos trêmulas, da saudade que logo se passava quando um abraçava  o outro. Queria poder tocar o céu da boca de um outro alguém  com suas doces palavras, que sempre escrevia mentalmente pro seu futuro querubim. Desejava saber amar, mesmo que não fosse amada. Se queixava pelos elogios baratos dela mesmo ao espelho, porque não tinha mais ninguém para à elogiar. Comprou todas as simpatias da cigana da esquina pra fazer com que o seu próprio coração faça algo mais útil do que só bater. Jurava pra si mesmo que iria amar, mas nunca amou. De dezessete passou pros trinta e sete, e do amor se esqueceu, aprendeu com diversas pessoas que do amor só vem a dor, e na solidão qualquer coisa pode virar paixão. Porque o amor é uma arte, não é pra qualquer um, não ama quem quer, só ama quem pode.
A vida nunca foi fã do meu motivo de sorrir, e nem ao menos quis me dar uma chance pra  qualquer alegria rotineira. Nada disso foi provado ou comprovado por mim mesmo, mas é a unica explicação que, neste caso, encontro para nunca ser capaz de ser feliz por mais de um dia. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Manchas de vinho barato nas roupas mais caras de qualquer prostituta moderna sempre me levam ao pensamento mais cruel sobre você, que foi marcante demais perante à mim mesmo. Uma hora me evaporava com teu fogo selvagem, e na outra me fazia tremer de frio com a tua gélida atitude. E nessa brincadeira de queima hoje e gela amanhã eu acabei me perdendo de paixão, já que me apaixono facilmente pela solidão depois do amor fácil. Aprendi a conviver assim, verão com neve e inverno com suor, desde que fosse acompanhado de você. Mas as horas passam depressa, com medo da minha raiva de ser ignorada pelo dono da minha paixão, entretanto, eu sei que se for pra ficar com você vai ter que ser assim, calor do amor e frio do medo de amar. 
Mais uma vez, serena e distraída, você entrou pela porta de mim mesmo e se trancou por lá, só pra ter alguém para que você possa tirar sarro por amar. Mas amar não é pecado, se neste caso, fosse recíproco ou, ao menos, reconhecido. Talvez, em certa hora de uma certa noite de um certo ano você perceberá que a sua presença seria bem melhor ao meu lado, mas, de acordo com toda falta da minha esperança, creio que esta hora, noite e ano nunca chegará. Porém, de certo uma coisa eu tenho certeza... Como tu és bela, minha pequena. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Por que o tempo está tão quente e você está tão frio, sendo que deveria ser ao contrário?  Por que você faz sair água dos meus olhos e não das nuvens lá fora? O meu valor não existe perante o que podemos chamar de um breve romance nosso, e eu continuo sorrindo com  as tuas migalhas de beijos mal dados. Posso, em certas horas da madrugada, acordar afoita à espera de que um dia você possa sorrir para mim, mas a escuridão é tudo o que sou capaz de ver, e então, se por alguma inútil razão você aceita descansar em paz, fale agora ou cala-se na minha boca. O amor que chamo de nosso ainda não foi descoberto por você, e eu fingo que nada pode piorar quando não tenho hora marcada com a tua presença, mas a paranoia sempre aparece nos momentos mais melancólicos possíveis de cada dia vivido por mim.
De bar em bar, procurando toda a forma de me embriagar pra esquecer a falta de você.  Jogando pro alto qualquer praga aos céus por nascer assim, com  o coração mole por ti. Qualquer bebida não cura essa ressaca de saudade, esses olhos ainda molhados pelo amor que não foi me dado, e a culpa é toda sua. Eu ando meio transtornada, qualquer chamada no celular pode ser você disfarçado, querendo saber onde eu estou e que horas posso voltar pra você, mas na verdade a decepção bate à porta quando descubro que é a minha pobre mãe me chamando pra voltar à lucidez.
Nada mais complicado do que te amar e não ser amado, tudo fica tão sem graça, tão irritante e fora do ar. Nenhum livro me faz rir, e meu sorriso se fica ausente. O banho dura quinze minutos, a música se torna difícil de escolher, e todos os meus sonhos só pedem você. E seria tão fácil se fosse ao contrário, porque diferente de você eu não falaria nada, só te beijaria até o final dos nossos dias.
Faz tempo, meu amor, que meu sorriso está traçado ao seu, e que eu tô louco pra te fazer moradia de mim mesmo; como eu queria, sem usar palavras, te dizer como é grande essa saudade por você. E,  por mais que eu não tenha dito uma palavra do que sinto diante de ti, você já tem um sorriso ensaiado, fingindo que sabe de tudo o que está acontecendo conosco. Poderia ser o ato mais simples; molharia o canto da minha boca, bem ligeiro, e então sairia todas as palavras que ensaiei sozinho no banho, só pra você. Poderia te comprar uma rosa, ou um bombom, pra combinar com o discurso que eu iria fazer, mas o meu simples beijo eu considero mais do que mil palavras. Perdão pela ausência do que você considera essencial para nós dois, mas sou assim, meio estranho, esquisitão... Mas só seu.
O primeiro sinal de raivosa paixão transparece fácil para qualquer um poder decifrar mas, para me fazer de difícil, eu tento evitar. Você todo impaciente não me deixa explicar que não é amor, mas ainda assim quero te amar. Me deixe  ficar, não me peça para ir embora e depois voltar, não quero o seu tesão sem você saber me beijar. Mas me ame também, por que não? O medo a gente deixa pra lá, eu quero mesmo é um lugar pra ficar, um alguém pra amar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Todas as vezes que eu me deitei com algum cara, ah.. eu juro que você foi o melhor! Não que eu diga isso para todos, mas você tem o dom de me arrepiar, docinho. Mas calma lá, não posso prometer que não vou partir amanhã, mas esqueça isso, vamos curtir o que resta de nós dois. Posso falar que vou comprar um cigarro naquela padaria da outra cidade que você não vai ficar tão triste assim, eu prometo. Ou posso te deixar um bilhetinho bem caloroso, enquanto você sorri dormindo. Mas não venha me acusando porque, baby, você sabe que eu nunca prestei. E todos naquela rua, ao virem nós dois abraçados, gritavam pra você "Ela não presta!", mas você não quis ouvir, e culpa eu não tenho, sempre fui assim. Mas vai ficar tudo bem, não pense no futuro, nada é para sempre, e não adianta gritar comigo porque, baby, você sabe que eu nunca prestei. 
Olá? Bom Dia? Prazer? Como devo falar com você? Ainda tenho chance de chamar à sua atenção? Posso me presenciar em tua mente? Ou me marcar em teu coração? E perdão? Acompanhado de um refrigerante, ou uma água, ou eu mesmo? E você vai confessar a sua saudade perante a mim? Ou eu devo esquecer todas as vezes que flagrei teus olhos me seguindo? Posso parar com as perguntas ou devo continuar? E que tal te beijar? Aceita um abraço longo ou um sexo com amor? Amor? Não? Por que não? Eu e você? Juntos? No inverno ou no verão? Brigas ou tapas de paixão? Tudo bem? Tem certeza? E então...? Até mais? Até. 
Vivemos em um mundo aonde ter é mais do que ser, querer é mais do que poder, aparecer é mais do que ver. Todos querem ser amados mas ninguém ama, todos querem ser respeitados mas ninguém respeita. E o que eu tenho a ver com isso? Nada, é só um desabafo mesmo.