segunda-feira, 23 de abril de 2012



Tu te dissolves na tua própria chuva de ilusões lentamente, sem se dar conta. Deixo-te com teu tabuleiro de mentiras, traçado a egoísta vontade de brilhar mais que o Sol.
Tuas próprias mazelas serão a única coisa que você se lembrará, e tua alma vendida à sombra da Sorte errada será a tua maior perseguição.
Não se lembrarás de mim, muito menos de nosso amor. Só será capaz de lembra-se apenas do teu último sopro colado ao meu rosto antes de partir.



Onde posso comprar um amor bandido?
Daqueles que cheiram a tesão,
E com beijos doces, mais quentes que vulcão?


Onde acho um corpo bem conservado?
Pra me usar e ser usado,
Sem que eu tenha medo de troca-lo por um cigarro?


Onde posso encontrar mais um pulmão?
Pra se colocar no lugar do coração,
E ensinar a mim mesmo que respirar é mais importante do que amar?

Eu e você.



Combinamos nada um com o outro, mas mesmo assim não ligamos. Sempre damos um jeito de nos reunir pelados, em troca de amor. Para não haver discussão preferimos não abrir a boca. A não ser para sentir a pele do outro. Impressionante. Ele ainda tem o poder de fazer minha epiderme arrepiar. Chega a ser estranho. Transamos por horas feito loucos, depois acendemos um cigarro e dormimos. Sem melação.  Somente paixão. Perfeito.

Liberdade.


Eras um pássaro tão bonito
Pintavas o céu com minha liberdade
Dava inveja aos homens que vestiam
A carapuça da desigualdade

Detalhavas o Sol e a Lua com a minha alegria
Bordavas o céu com a minha beleza
Desfilava em todas as nuvens
Sentia-me parte da realeza

Até que chegastes Satã e com inveja
Da minha felicidade
Mandou cortar minhas asas, e junto foi-se
Minha liberdade

Agora sois só mais um pássaro desfigurado, vazio, roubado
Aprendi a ficar só na saudade
Transformei-me em um humano, preso na alma de um pássaro
A procura da liberdade.