domingo, 27 de maio de 2012

Aqui jaz uma sereia que não nasceu no mar mas aprendeu as linguas dos maus pescadores, alucinada pelo poder da noite calada da cidade, louca pelos velhos tempos de loucuras no mar. No silêncio das ruas ainda sou capaz de ouvir os gemidos das almas excitadas pelo calor dos corpos colados, pelo vinho derramado, pelo cigarro apagado. Ainda se encontram poemas que contam noites bem vividas e  gente esparramada em todo lugar, dissolvidas pelo cansaço e pela falta de amor. Ainda se encontram e se perdem muita coisa por aí, pelas ruas, pelo céu, pelo ar. Pode-se escutar nas bocas bem frescas muita coisa boa sobre mim e também muita coisa ruim, mas eu sou sereia e não nasci no mar, sou de todos os pescadores mas não sei nadar!

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