terça-feira, 13 de março de 2012

Estava no escuro observando-o lentamente, tinha vários filhos da puta mas aquele dia eu só iria buscar ele. Minha lista estava grande e meu cigarro estava acabando, eu tinha que pega-lo logo, mas como conquistar a confiança sem que ele ao menos desconfiasse de quem sou eu? Manoel era malandro e sentia cheiro de traição  de longe.
Cheguei e pedi uma pinga, pinga boa - o que era raro hoje em dia -, acendi um cigarro, respirei de alívio a deliciosa nicotina, olhei para o lado e vi Manoel mordendo o lábio, puro desejo olhando o meu rabo; nem liguei, eu gosto disso.
Peguei mais uma dose, fui até a mesa de Manoel, ele sorriu faltando três dentes e eu ri como a alma de um cangaceiro; dei a ele a melhor  pinga daquela espelunca, Manoel deu um gole grande e cheio de prazer, enfim sentei ao lado dele.
Ficamos nos olhando durante um longo tempo, o suficiente para decifrar o que ele estava pensando, coloquei a mão no seu rosto e sussurrei as três palavras, ele gelou. Antes que tivesse forças para gritar ou fugir eu já havia roubado a tua alma, agora mora comigo no abismo negro, filho da puta! Acendi o meu ultimo  cigarro, era hora de voltar, para a morte não tem hora e nem lugar.

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